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Setembro Amarelo: É Preciso Falar Sobre o Suicídio




Nunca se ouviu tanto falar em problemas psicológicos e suicídios como nos últimos anos. E não é para menos: segundo o G1, cerca de 800 mil pessoas acabam com suas vidas todos os anos no mundo, o que equivale a uma morte a cada 40 segundos. Em um monitoramento realizado nas redes sociais brasileiras foi contabilizado 103.923 menções ao tema. Dentre esses números, foi registrado aumento em depoimentos e relatos. De 6,3% em 2017, passaram para 23,5% em 2020, afirma o jornal Folha de São Paulo.


Enquanto em outros países o número de suicídios diminuiu com o passar do tempo, no Brasil os casos só aumentam. Segundo o UOL, a taxa entre jovens entre 10 e 19 anos aumentou 24% nas seis maiores cidades brasileiras: Porto Alegre, Recife, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, enquanto cresceu 13% no interior do país. O aumento contrasta com a evolução dos índices de suicídios no resto do mundo, que caíram 17%.


Realmente os índices são alarmantes, pois na comparação entre continentes e subcontinentes, o único que registrou aumento na taxa de suicídios foi a América, com incremento de 6% na comparação com 2010. O Brasil, com alta de 7%, teve crescimento na taxa acima da média dos países do continente, afirma o G1.


Para entendermos melhor a respeito do tema, conversamos com Patrícia Witzke, Psicóloga Clínica, especializada em Psicoterapia Psicodinâmica dos Transtornos da Personalidade Borderline e Psicologia Hospitalar e da Saúde. Questionada sobre o que leva uma pessoa a tirar a própria vida, Patrícia explica: “O suicídio está relacionado a um sofrimento intenso vivenciado pela pessoa e transtornos de saúde mental. Antes do suicídio efetivamente acontecer a pessoa pode realizar diversas tentativas ou até mesmo comunicar seus pensamentos a alguém, e é muito importante estar atento a esses sinais para oferecer o suporte necessário. Muitas vezes a sensação de que a pessoa não tem alternativas para acabar com seu sofrimento ou resolver seus problemas faz com que pense que tirar a própria vida é a única saída, sem saber que existe sim tratamento e pode receber o cuidado adequado”.


Segundo o jornal Folha de São Paulo, de acordo com a OMS, em 2014, 10.631 pessoas cometeram suicídio no Brasil, sendo a maioria masculina: a cada 10 suicídios, 8 são homens e dois são de mulheres. Sobre esse mesmo tema, a respeito do gênero mais atingido pelo suicídio, a psicóloga possui a mesma perspectiva do meio de comunicação, e afirma que o comportamento suicida é prevalente em pessoas do gênero masculino, já a faixa etária mais atingida é de pessoas entre 15 e 30 anos e acima de 65 anos.


Muitos acreditam que o suicídio seja uma consequência só de pessoas que estejam deprimidas, porém essa afirmação é errada. Segundo Patrícia, nem todas as pessoas que cometem suicídio tem depressão. No levantamento dos últimos anos feito pela OMS aponta que cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais, tendo a depressão em primeiro lugar, seguida pelo transtorno bipolar, transtornos mentais relacionados ao uso de álcool e drogas, transtornos de personalidade, esquizofrenia, entre outros. “É importante não subestimar a presença de um comportamento autodestrutivo ou suicida, pois até mesmo pessoas sem nenhum transtorno mental diagnosticado, mediante a um sofrimento intenso ou um momento de crise, podem chegar a tentar ou cometer suicídio”, conclui a psicóloga.


Mais do que nunca é de grande relevância a abordagem e instrução sobre o tema e suas consequências, e foi por isso que surgiu o Setembro Amarelo. Segundo a CVV (Centro de Valorização da Vida), setembro é o mês mundial de prevenção do suicídio, chamado também de Setembro Amarelo. O assunto que já foi um tabu muito maior, ainda enfrenta grandes dificuldades na identificação de sinais, oferta e busca por ajuda, justamente pelos preconceitos e falta de informação. Trata-se de uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio. No Brasil, foi criado em 2015 pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), com a proposta de associar à cor ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio (10 de setembro), afirma o próprio site do movimento.


Para que fosse possível compreender com mais profundidade o objetivo da campanha, pedimos que Patrícia falasse sobre o Setembro Amarelo: “A campanha tem extrema importância para falarmos e pensarmos sobre o suicídio enquanto sociedade. O suicídio é um problema grave no Brasil, bem como o sofrimento mental, que ainda hoje são tabus. Por ser um assunto que não é conversado abertamente, aumenta o risco de termos pessoas que precisam de atenção, pois possuem pensamento suicida. É importante até mesmo para habilitar familiares, amigos e colegas em como é possível ajudar a pessoa que dá indícios, comunica uma ação suicida ou até mesmo como reagir se é presenciada uma tentativa de suicídio. É a forma de podermos identificar precocemente as pessoas com risco aumentado de tirar a própria vida e ajudar as pessoas a desenvolver habilidades para lidar com o sofrimento emocional ao longo da vida”.


O suicídio vem matando cada vez mais gente, e por isso o Setembro Amarelo é tão importante. “Historicamente o suicídio é considerado pelas religiões como um pecado e culturalmente temos a tendência de evitar falar sobre a morte. Tem muitas pessoas que acreditam que falar sobre o suicídio pode acabar incentivando pessoas que têm estes pensamentos e essa é uma crença falsa, pois o efeito é justamente o contrário. A falta de informação e esclarecimento sobre os riscos de comportamentos autodestrutivos, por parte de familiares, amigos e de profissionais nas escolas e da área da saúde faz com que sejam tomadas decisões que não vão de encontro com aquilo que a pessoa com pensamento suicida precisa. Ampliar as possibilidades daqueles que convivem pode evitar o ato suicida. Falarmos sobre o suicídio ajuda também as próprias pessoas que estão desamparadas, vivenciando a sensação de tirar a própria vida, a não se sentirem sozinhas e banidas do que é aceito socialmente, além de incentivar a falarem e pensarem sobre isso e entenderem que precisam de tratamento sem chegar a este fim fatídico. Detectar e tratar adequadamente a depressão reduz as taxas de suicídio”, afirma Patrícia.


Patrícia também deu algumas dicas de como lidar com esses pensamentos:


- Converse sobre os seus sentimentos com uma pessoa de confiança. A maior parte das pessoas se sente melhor depois de conversar com alguém que se preocupa com elas;


- Busque ajuda especializada. Um psicólogo, médico ou profissional da saúde é um bom começo;


- Lembre-se que se você receber cuidados adequados você poderá melhorar;


- Continue a realizar as atividades que você gostava quando estava bem;


- Preserve as suas relações pessoais. Continue em contato com sua família e amigos;


- Faça exercício regularmente, mesmo que seja apenas uma caminhada curta;


- Procure comer e dormir regularmente;


- Compreenda que talvez você tenha depressão e que talvez você não consiga fazer exatamente tudo aquilo que fazia antes;


- Evite ou limite o consumo de álcool e abstenha-se de drogas ilícitas, porque podem piorar a depressão;


- Se tiver pensamentos suicidas, contate alguém imediatamente e peça ajuda.


Falar sobre o que a gente sente e pedir ajuda nunca deve ser sinônimo de vergonha ou medo de julgamentos. O primeiro passo para mudar esse fim trágico é entender que não estamos bem e que se não tivermos um tratamento especializado, não sairemos dessa situação.


Setembro Amarelo é um símbolo importantíssimo, mas não é apenas neste mês que o suicídio deve ser pautado, mas sim o ano todo, pois não queremos mais vidas perdidas, por falta de instrução.


Se você está passando por isso e não vê saída, lembre-se: você é especial, importante, é o amor da vida de alguém! Para tudo tem solução, basta querer melhorar e tomar uma única decisão: procurar ajuda! Cuide-se, pois sua vida é muito importante!

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