Setembro Amarelo: Falar é a Melhor Solução
- Daniel Ortunho
- 22 de set. de 2025
- 3 min de leitura

O Setembro Amarelo é uma campanha nacional de conscientização sobre a prevenção do suicídio, que ocorre todos os anos no Brasil durante o mês de setembro. Seu principal objetivo é quebrar o tabu sobre o tema, estimular o diálogo e promover ações de apoio à saúde mental. A escolha da cor amarela está relacionada à valorização da vida, uma forma simbólica de lembrar que cada vida importa.
A iniciativa começou em 2015 por meio de uma parceria entre o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), sendo fortalecida por diversos órgãos públicos e instituições privadas. No centro da campanha está o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, celebrado em 10 de setembro.
O cenário atual
De acordo com estimativas internacionais, mais de 700 mil pessoas tiram a própria vida por ano em todo o mundo. No Brasil, são cerca de 14 mil casos anuais, o que representa aproximadamente 38 mortes por dia. Os números são ainda mais alarmantes quando se observa que o suicídio figura entre as principais causas de morte entre jovens de 15 a 29 anos.
Embora esses dados revelem uma dura realidade, é importante destacar que o suicídio pode ser prevenido. Um dos maiores obstáculos é o silêncio. O medo, o preconceito e a desinformação fazem com que muitos sofram calados, sem buscar ajuda. Por isso, o Setembro Amarelo propõe: vamos falar sobre isso.
Como identificar sinais de alerta
Sinais de sofrimento emocional costumam surgir de forma sutil, mas podem ser notados com atenção. Algumas manifestações importantes incluem:
· Comentários frequentes sobre desânimo ou desejo de desaparecer;
· Isolamento social e distanciamento de amigos ou familiares;
· Mudanças bruscas de humor, irritabilidade ou apatia;
· Perda de interesse por atividades antes prazerosas;
· Falas explícitas sobre morte, suicídio ou falta de sentido na vida.
Esses comportamentos não devem ser ignorados. O diálogo acolhedor e livre de julgamentos pode ser a primeira etapa de um caminho para a recuperação.
Fatores de risco e vulnerabilidades
Vários fatores podem aumentar a vulnerabilidade ao suicídio. Entre eles:
· Transtornos mentais não diagnosticados ou não tratados, como depressão, ansiedade ou transtorno bipolar;
· Abuso de álcool e outras drogas;
· Histórico de tentativas anteriores;
· Vivências de violência, discriminação, luto ou traumas;
· Situações de estresse intenso ou prolongado, como crises financeiras, bullying ou relacionamentos abusivos.
Além disso, a falta de apoio emocional e a dificuldade de acesso a serviços de saúde mental agravam ainda mais esse cenário.
Onde buscar ajuda
No Brasil, diversas frentes atuam na prevenção do suicídio. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento psicológico e psiquiátrico por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), unidades básicas de saúde (UBS) e serviços especializados.
Outro canal essencial é o CVV – Centro de Valorização da Vida, que oferece apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, todos os dias da semana, pelo telefone 188 ou pelo site www.cvv.org.br.
Além disso, há iniciativas governamentais para a expansão de serviços. Recentemente, o Ministério da Saúde anunciou investimentos significativos na abertura de novos CAPS e na ampliação da cobertura de atendimento em saúde mental.
O papel da sociedade
A prevenção do suicídio não é responsabilidade exclusiva de profissionais da saúde. Toda a sociedade pode contribuir criando ambientes acolhedores, empáticos e livres de preconceito. Ouvir com atenção, respeitar o tempo do outro, incentivar o autocuidado e compartilhar informações corretas são atitudes simples que podem fazer diferença.
Escolas, empresas e comunidades podem promover rodas de conversa, palestras, campanhas de conscientização e canais internos de escuta ativa. É importante que todos se sintam seguros para buscar apoio sem medo de julgamento.
Setembro Amarelo é só o começo
Mais do que um mês de campanha, o Setembro Amarelo deve ser um marco para a construção de uma cultura de cuidado em saúde mental. Precisamos continuar a conversa durante o ano inteiro, garantindo que ninguém precise sofrer em silêncio.
Se você está passando por um momento difícil ou conhece alguém que está, não hesite em pedir ajuda. Falar continua sendo a melhor forma de aliviar a dor e encontrar novos caminhos.
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